Ah! como começar a explicar a maravilha que é o Mundo dos Adultos.
O Reino das Responsabilidades. O Reino das idas ao banco, das contas para pagar, dos sorrisos glaciais.
Tem sido assim a minha viagem neste estranho planeta. Repleta de aventuras, descobertas, entendimento e, principalmente, desilusões.
O bilhete foi-me literalmente impingido pela faculdade.
(Condições da tarifa:
PE -Cancelamento: Antes do voo: Muito estudo e disponibilidade para seguir de forma cega, surda e muda, o cego, surdo-mudo que dita o caminho.
Depois: Não reembolsável.
Alterações – custo: Todo e qualquer tipo de vida social e/ou comunitária.
Sacrificando todas as actividades de lazer.
MN – Mínima duração: após o 12ºano ou a faculdade.
MX – Máxima duração: Graças à nossa Ministrazinha 65 anos.
Outras condições: Válido para upgrade, dependendo de conta bancária pessoal, herança dos pais e/ou a sorte de ganhar o Euromilhões.
CO – Combinabilidade: Pode combinar com Part-time, não mais de 4h/dia. Ou converter ambos em part-times, sendo que o horário pode variar consoante disponibilidade da companhia.
)
O equipamento foi da Adecco, uma companhia low cost, que, a julgar pelas condições do voo, há muito deveria ter sido proibida de voar. Não fora pelos pilotos e tripulação, não sei como me teria safado.
Foi inclusive, por um dos pilotos que me veio parar à mão um colete salva-vidas: A Sitel. Promessa de novas aventuras, imensas oportunidades.
Foi como passar de económica a executiva num voo intercontinental. O sufoco trocado pelo suave respirar, proporcionado pelas cadeiras desdobráveis, macias, confortáveis e espaçosas.
Contudo foi apenas isto que mudou. O pessoal de serviço, impecável! (Aliás, como já o pessoal da low-cost se mostrara!) Mas a minha preciosa bagagem foi perdida, e na volta do correio, danificada.
Talvez pela promessa de um futuro brilhante que vejo nunca ter existido, talvez pela estranheza que tudo me causa e me constrange.
A percepção de que ser grande, ser adulto, não passa de um baile de máscaras de terceira categoria. Más máscaras e a muita música! Não obstante, todos (não, minto! quase todos!) se juntam no salão de festas para dançar, prestando grande atenção aos passos para não sair do conjunto. Sussurrando críticas veladas ao ouvido do parceiro, bocas sujas, olhares imundos, com a melodia das responsabilidades e integridade a acompanhar. Não admira que a música e a dança destoem e ao mesmo tempo encaixem tanto uma na outra. Cada uma contando sua história, qual duas antíteses titânicas numa disputa pelo primeiro lugar. Nos intervalos a conversa de circunstância, os acenos e os sorrisos, cuidadosamente esculpidos, para demonstrar toda a felicidade que se não tem, mas que se não quer que os outros questionem, ou guardar a antipatia que o sorriso esconde e o coração carrega. Ó único traço visível da existência de uma máscara mais profunda e intemporal, que de todos terem se tornou quase natural.
E ainda dizem ser as crianças a viver no mundo do faz de conta!
Quarta-feira, Dezembro 12, 2007
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2 devaneios:
oh como eu concordo contigo!!!! O mundo dos adultos!!! Quem o inventou? o das crianças é bem melhor!bah
BEm, isto é que é uma gigante metafora à vida de adulto...Eu cá nao quis comprar o blhete, impingiram-mo...acho que o ganhei num desses concursos ao qual mal nos aperccebemos de que estamos a aprticipar.
Não fosse isso e já mais teria partido para tamanha viagem que nao me traz qualquer animo...
beijinhos
te adoro...nem sei bem porquê ...apetece-me, só isso!=) [assim como dize-lo]
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